Vinicius Barbosa

 

 

 

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Reforma de Residência | Niterói, RJ

 

Antes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A identidade sombreada por folhas ressecadas, pintura envelhecida e espaços mal aproveitados apontava que uma iminente recuperação de auto-estima se faria necessária, de forma a se trazer de volta o prazer do deleite rotineiro e o convívio social nesta residência de 110 m² de área edificada, cujos 116 m² de sua área externa seriam o objetivo deste trabalho.
Deteriorada em termos de acabamento e com espaços defasados por anos sem receber nenhuma intervenção, urgiriam modificações globais, sendo apresentado num estudo preliminar a relocação da garagem e da área de serviço, instalação de uma churrasqueira (onde antes estacionavam os carros) e criação de um banheiro de apoio e um canil em ponto estratégico. No entanto, sendo a prévia negociação junto aos fornecedores bem sucedida, a expectativa orçamentária se mostraria aquém do imaginado, possibilitando à cliente uma cessão aos detalhes de aperfeiçoamento e conseqüente valorização do projeto promovidos pelo arquiteto.
Assim, seriam adicionados ao programa inicial uma cobertura metálica com vidro sobre a área da churrasqueira – que teria acoplado um forno a lenha – além da pintura de todo o madeiramento e telhado, com colocação de calhas, e a criação de um jardim iluminado. Todos estes novos itens seriam conquistados a partir de um gerenciamento de gastos minucioso feito pelo arquiteto, gerando-se uma economia significativa com processos específicos de contratação de serviços e aquisição de materiais.
O conceito da casa seria gerado a partir da necessidade primordial de reavivamento da fachada – onde a combinação do verde com o branco trariam também um certo requinte à edificação – e da restruturação dos ambientes. Três tons de verde seriam aplicados na casa: o tom mais claro nas paredes; um tom médio no muro externo (acompanhado do emolduramento na cor concreto) e a textura em verde escuro no salão da churrasqueira, que ganharia um piso em porcelanato concreto e a cobertura de alumínio branco e vidro temperado verde. Em toda a casa seriam usados os detalhes em granito Verde Ubatuba.
Se antes a casa apresentava-se com ambientes sem definição precisa, a partir do projeto, os espaços ganhariam uso, sendo cada centímetro efetivamente importante para o bom funcionamento da casa em seu todo. A começar pelo salão da churrasqueira – que antes abrigava dois veículos estacionados, além de uma acanhada área de serviço – este surgiria como importante elemento de recuperação do prazer em receber pela sua flexibilidade, assim como passou a ser uma extensão das salas de jantar e estar. Mesmo em dias de chuva, o salão seria passível de utilização, já que a cobertura metálica protegeria e proporcionaria um efeito visual interessante com o deslizamento da água sobre os vidros.
Do salão até a nova garagem, o traçado orgânico definido pelo jardim teria a função de suavizar a transição de ambientes, mais evidente com a mudança de revestimento de piso, aplicando-se o anti-derrapante na zona de circulação (descoberta). A garagem, localizada no outro extremo da casa, receberia blocos intertravados nivelados com a cisterna já existente, a mesma que definiria o desenho do jardim. Abrigando – agora com folga – dois carros, sua localização não mais afetaria a circulação de pessoas, sendo somente necessário atravessá-la para o acesso ao canil, estrategicamente posicionado no lado inverso à área social, e que ganharia pontos de água e luz independentes, além de revestimento de piso frio, de fácil limpeza.
Um dos ganhos mais significativos seria a transferência da área de serviço para a parte traseira, acabando com a poluição visual proporcionada pelas roupas estendidas no varal em plena área nobre da casa.
Se não visível do lado de fora da residência, internamente o desenho sinuoso em granito Verde Ubatuba do jardim iluminado seria determinante para se obter a desejável sensação de aconchego e arejo pela cliente. Materiais reaproveitados – como os cacos de telha substituídas na obra e cascas de pinus – harmonizariam com seixos, pedriscos e a vegetação de destaque. Seria necessário criatividade na disposição dos materiais, já que a laje da cisterna impediria o cultivo de vegetação, adotando-se assim os minerais como alternativa de revestimento.
Medidas sustentáveis não se reduziriam ao uso dos cacos de telha no paisagismo, mas também na utilização do entulho de concreto e alvenaria para elevação de piso, assim como no reaproveitamento da madeira do telhado removido – da antiga área de serviço – no reparo de caixilharias e na criação de peças de mobiliário.
Concidência ou não, floresceria na inauguração, pela primeira vez, um esplendoroso ipê branco, que seria o símbolo do novo ciclo de vida dos moradores – de energias renovadas a partir das tão necessárias e aguardadas intervenções – e o elemento “especificado” pela natureza, que contribuiria inegavelmente para a recuperação definitiva da identidade da casa.


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