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Museu da Memória e dos Direitos Humanos | Santiago, Chile

Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile
Projeto arquitetônico do escritório brasileiro Estúdio América, a estrela do bicentenário chileno, o Museu da Memória e dos Direitos Humanos foi inaugurado em Santiago neste inicio de janeiro.
Considerado a mais importante iniciativa cultural do governo Bachelet, o museu vai contar com um acervo que expõe, entre outras instalações, o atropelo aos direitos humanos ocorrido entre 1973 e 1990, período do regime militar em que o ditador Augusto Pinochet comandou com mãos de ferro a vida no Chile.
A arquitetura do museu
Segundo os arquitetos do Estúdio América, o projeto do Museu foi pensado a partir do caráter fragmentado e não linear da memória e de suas imagens. Apesar das condições sísmicas do Chile, o Museu realiza um dos maiores vãos livres do país, com 51 metros entre apoios. O grande volume – a barra - vence a gravidade e sombreia a base da grande rampa.
Mario Figueroa do Estúdio América explica: “procuramos desenvolver projeto aberto, flexível, capaz de acolher qualquer tipo de mostra e de armazenar e transmitir esse conhecimento de maneira ampla e imparcial. O objetivo foi criar uma espécie de arca, onde se pudessem depositar todas as reminiscências da história chilena”. “O Chile é um pais singular, localizado entre a cordilheira e o mar. O museu foi projetado para ocupar esta franja, reverenciando, por meio de um olhar simbólico, esses dois elementos determinantes da geografia chilena”.
Ao contrário da maioria dos museus, que consistem em uma sucessão de salas separadas umas das outras, o edifício do Museu da Memória é constituído por um grande espaço em três níveis, sem paredes transversais, que se integram de modo que o visitante não perca a noção do conjunto. “Os paramentos que dividem os ambientes são todos de cristal serigrafado com fotografias que ilustram a dor, a angústia e a opressão a que o povo chileno foi submetido”, explica o arquiteto Lucas Fehr, co-autor do projeto. “Ao mesmo tempo, o cristal  garante  a luminosidade dos espaços e de alguma forma reduz a tensão causada pela exibição de episódios tão traumáticos da história do Chile”.
De acordo com os arquitetos, o projeto buscou criar lugares e marcos físicos e mentais, que oferecessem condições para que o conhecimento germinasse de cada indivíduo. “Somente aquilo que uma pessoa descobre por ela mesma pode acumular-se como memória ativa. Um espaço dedicado à memória pode não só transmitir informações, mas também provocar a reflexão sobre as recordações e os desejos”, afirma Lucas.
O arquiteto Carlos Dias, diz que o Museu da Memória não foi projetado para ser um monumento isolado, solto e sem função urbana. Ao contrário, se constituirá em um elemento comprometido diretamente com a delimitação e caracterização desse novo espaço público da cidade de Santiago. “Propõe-se um espaço generoso, amplo de possibilidades e percursos. que permite a transposição natural e cotidiana da quadra em que está localizado. Os elementos urbanos que compõem o Centro Matucana têm caráter cívico. A grande rampa do Museu, a Praça da Memória e o pátio-jardim constituem uma seqüência espacial que oferece uma hierarquia urbana necessária a um complexo metropolitano”.
O conjunto do Museu deverá ser complementado, no futuro, pelo Centro Matucana, destinado a escritórios públicos e privados, objeto do mesmo concurso, e que conclui a proposta da equipe vencedora.


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