Cristiano, Tiago, Cristiana

 

Cristiana Brodt Bersano
Cristiano Costa de Souza

Tiago Saretta Ferrari
 

 

55 00 0000-0000

 

 

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Loft


Loft | Porto Alegre / RS

 

 

 

 

 

 


Introdução e Contexto:
Fábricas e armazéns de roupas e cereais funcionaram no famoso bairro SoHo, em Nova York, até o final da Segunda Guerra Mundial. Nos anos 50, com a expansão da indústria, essas fábricas se mudaram para áreas maiores, deixando os galpões do SoHo vazios, os quais foram ocupados por artistas em busca de grandes espaços para os seus ateliês com aluguéis baratos. A área decadente logo se tornaria misto de charme e rebeldia, principalmente quando seus inquilinos tornaram-se famosos. O termo inglês LOFT, utilizado para designar galpões, depósitos ou fábricas, começou a ser identificado com um jeito subversivo de morar.

O 309 LOFT apostou no famoso conceito, sendo construído a poucos metros da Praça Carlos Simão Arnt (“Praça da Encol”), em bairro nobre de Porto Alegre/ RS. O entorno imediato apresenta diversas residências unifamiliares - casas de dois pavimentos - e algumas edificações de até quatro pavimentos, que caracterizam a volumetria do contexto.

Partido e Volumetria:
O partido geral do edifício é o resultado da análise do contexto onde a edificação foi inserida, da topografia do local e de uma série de limitações físicas e legais impostas ao terreno escolhido para o empreendimento, além da certeza de que se desejava trabalhar com uma linguagem arquitetônica atual, que refletisse a contemporaneidade de nossa época, gerando uma volumetria diferenciada, que estivesse bem inserida e ao mesmo tempo se destacasse no tecido urbano.
Com 9,90m de largura de terreno, decidiu-se por realizar um projeto de divisa a divisa, onde se colocariam dois apartamentos lado-a-lado por pavimento. Limitado em altura pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental de Porto o projeto gerou dois blocos distintos, sendo um de frente e outro de fundos, interligados por uma circulação vertical central com escada, elevador e passarelas, gerando além de jardim frontal e recuo de fundos, três pátios internos na área central do terreno.
No bloco frontal, a altura máxima foi atingida com a construção de cinco pavimentos sendo o primeiro o térreo, com pé-direito reduzido, seguido por quatro destinados a apartamentos. O bloco de fundos apresenta quatro pavimentos destinados a apartamentos.
Como parte dos desafios para o projeto, o terreno apresentava forte declive de 7m. Isto implicou no escalonamento do prédio no sentido do declive, fazendo com que o bloco dos fundos ficasse mais baixo do que o da frente. O declive foi aproveitado para a construção de um subsolo destinado a estacionamento. O desnível necessário entre os blocos de apartamentos implicou na divisão do subsolo em dois platôs de estacionamento, onde foram acomodadas vagas para doze veículos, além de circulações, rampas e reservatórios.
Cada apartamento foi concebido como um LOFT, sendo todos do tipo “duplex”, onde o pavimento inferior foi destinado a áreas sociais e de serviço e o pavimento superior a áreas íntimas. O vazio gerado pelo mezanino proporcionou um pé-direito duplo ao estar social, onde uma lareira, com volumetria destacada, marca a verticalidade do ambiente. A ventilação e iluminação ao apartamento foram garantidas pelas aberturas da fachada frontal e dos pátios internos.
A volumetria de cada bloco se destaca pela cobertura metálica curva, pelas placas horizontais dos guarda-corpos das sacadas e pelo volume vertical que abriga as chaminés das churrasqueiras. O “grão” do local foi respeitado e o destaque que a edificação tem, na arborizada rua em que se localiza, se deve principalmente às cores e texturas dos volumes da fachada principal.

Linguagem e Materiais:
O sistema estrutural escolhido foi concreto armado convencional, com pilares, vigas, lajes e escadas moldadas no local. As paredes foram executadas em tijolos cerâmicos. A cobertura com telhas de aço galvanizado, na cor branca, apoiadas em vigas metálicas não aparentes. Foi executado isolamento térmico e forro de madeira sob o telhado.
Os materiais utilizados na fachada foram: granito apicoado branco nas sacadas; caxambu palito bege no volume das churrasqueiras e pintura com tinta acrílica sobre reboco nas abas laterais.
As aberturas foram tratadas como grandes panos de vidro, valorizando o pé-direito duplo interno, com esquadrias de alumínio branco e vidros esverdeados.
Internamente os revestimentos são cerâmicos e nas áreas de uso comum, abertas e cobertas, optou-se pela especificação da pedra basalto, característica da região sul.
Os elementos arquitetônicos utilizados são dispostos na fachada principal sob forma de placas, diferenciadas pelos materiais e pelos “descolamentos” criados nos detalhes do projeto.

O Empreendimento: Datas, unidades e metragens:
O início do planejamento - incluindo pesquisa mercadológica e conceituação - do empreendimento, do projeto arquitetônico e demais projetos e documentação complementares foi realizado em 2001. Após aprovação nos órgãos competentes, a construção de 2002 a 2004, teve seu lançamento imobiliário em setembro de 2003. Na entrega da obra, em janeiro de 2004, já havia alguns apartamentos vendidos e após um ano do seu término (em janeiro 2005) as oito unidades já haviam sido comercializadas.


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